Dormir prá não ver passar
Uma alternativa que pode solucionar,
atingir minha incosciência,
relaxar, acalmar minhas lágrima em soluços
e esperar mais um ano passar.
Ah se eu pudésse escolher
uma data prá ficar em coma,
seria do dia vinte de dezembro
ao dia dois de janeiro.
Mais uma vez que caio em dores,
más sentimentos, uma certa depressão,
é mais uma vez que corro
escondo, mas não por medo de rojão.
É o fim do ano,
mas não é o fim,
então porque nesse dia
eu me sinto assim?
HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA 20:07
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Sei lá
Quantos caminhos
quantas coisas,
quantas alternativas,
quantos conhecimentos,
quantas dúvidas,
quantos entretenimentos,
quanta preocupação,
quanta liberdade,
quanto medo de amar,
quanto medo de ferir,
quanto medo de escolher,
quanto medo de errar,
Nossa, quantos...
quantos sonhos,
quantas inesperanças,
quantos minutos,
quantos dias,
quanto tempo leva prá acabar,
quanta coisa,
quanto tempo prá me enterrar?
HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA 01:39
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Gostei da idéia
Chegar em casa, abrir a geladeira e ver das coisas que mais gosto. Entrar no meu quarto e ver em minha cama um pacote de bolacha da que mais gosto e ainda um saquinho de chicletes que mais gosto também, ir me buscar na rodoviária após chegar da cidade que estou trabalhando temporariamente, que antes indubitavelmente eu teria de ir à pé até minha casa, até mesmo porque chego tarde. Prá forçar a barra, chegar na noite e eu poder dar uma voltinha com a camionete que tanto é zelada por meu pai, estranho, mas acho que meus pais estão desconfiando que estou usando drogas. Mas pensando bem, deixem pensar, pois nada mudará seus conceitos sobre mim após meu último domingo, um domingo de cervejinhas que resultou em mal-estar até na terça-feira, tudo bem, tá valendo a pena, pois ser mimado assim é muito bom, e não me lembro da última vez que lisonjiei disto. Quem sabe eu queira ser mais mimado e comece chegar em casa encenando um ser totalmente sem noção com coceiras no nariz.
HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA 00:20
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Pose e fantasia
Chega ser engraçado ao ver intrigas, julgamentos, um ser quase condenado à morte simplesmente por seus gostos. O engraçado era todo o respeito que se corria por trás de tudo isso. Bom, mas é como cada um quer.
Ainda continuo absurdado em ver que as amizades se valorizavam porque tais pessoas tinham mesmos gostos, será que respeito não entra nesse jogo também? Ou além do mais, o prazer de companhia ou até mesmo algo mais pesado como o amor. Agora vai de cada um achar que a personalidade mais forte é daquele que escuta uma música mais "underground", ou se pinta um quadro com tons escuros que pode significar algo frio, vazio ou morte, ou até mesmo se as roupas são os uniformes de seres extremos.
Uma história engraçada, parece até uma certa crônica. Onde está a personalidade independente de tais fantasias? Queria só ver se Veríssimo tivésse a oportunidade de ver o que ví. Uma boa crônica com certeza seria elaborada, pois a graça de tudo é a seriedade que rola por trás de todas essas fúteis discussões. Quer um exemplo em frases já ditas que eu presenciei? Lá vai algumas:
- "Usar cabelo comprido é pose porque hoje em dia todo mundo usa."
- "Tal pessoa é "paia" porque não usa coturno todo acabado."
- "TEM que beber do que vier porque isso é ser foda."
Parece que estou fazendo piadas, mas podem crer, isso realmente acontece, mas juro que eu pensava que eram brincadeiras, tanto é que destas eu já participei. E agora pergunto: Onde é que está a liberdade e o bem-estar de cada um?
HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA 00:55
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Reeducação
Dizia meu sábio e velho pai que para ser um homem eu não poderia chorar após ralar os joelhos com um tombo enquanto corria brincando, dizia que homem que é macho não ficava pelas dores alheias, é praticamente me dizer que amor não existe, me ensinou que o homem é o que manda em casa, um cacique no caso. Dizia meu pai que ao dar o cumprimento tinha de dar um aperto forte com a mão apenas, pra que frescuras de abraços? Me ensinou que é feio e coisa de homossexuais um homem usar cabelos longos. Me lembro quando apontava as pessoas na rua e detalhava seus bens financeiros ou seus defeitos, me lembro também de quando apontava os que eram seus amigos de juventude, isso desde que ele tivesse carro e dinheiro, concluía ainda que não existe amigos, lembro que dizia que evoluções tecnológicas e propostas bancárias só existem pra nos foder, lembro quando dizia que mulheres são gostosas e que se orgulhava em me ver inocentemente dizendo: "Não há nada melhor que cerveja gelada e mulher pelada." Às vezes me aconselhava também que a melhor mulher é a do vizinho.
Anos após, na adolescência, me ensinava também que: "Temos que nos foder na vida para aprender e para dar valor." Comecei a perceber que era ele muito ocupado, porque nunca esperava sua família para sentar perante a mesa e almoçar, pois senão perderia o programa de esportes e logo depois tinha de retornar ao trabalho. Meus gostos e planos de futuro jamais poderiam ser apoiados, pois era eu ainda um adolescente e não tinha noção de que realmente queria. Às vezes de leve me dizia que tem mais de se preocupar em trabalhar, pois o estudos às vezes são ingratos.
Assim foram passando os anos, aprendi muitas coisas com meu sábio pai, e o que mais gostei de ter aprendido com ele foi a não ter medo e encarar, ultrapassar os limites. Resultado: Hoje tenho dezenove anos, quatro meses, treze dias, cabeludo, que não conversa com seu pai por causa de intrigas e discussões, e vivo em dois mundos: Dentro de casa calado e indiferente (mostrando somente o que agrada à ele e fazendo de mim um santo como ele sempre quis) e o mundo da liberdade (que faço o que quero e busco as minhas vontades, conforme eu sempre quis acabar com as curiosidades que o sábio criou em mim), ou seja, vivo num mundo frio e vazio, e num mundo real, eu que escolho onde quero passar meu tempo.
HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA 01:03
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