Sonhos e Utopias

[ Domingo, Abril 25, 2004 ]

 
Por mais que...


Por mais tempo que uma rosa
leve para debochar,
Ficarei esperando aqui sereno
para deliciar o precioso perfume.

Por mais tempo que a chuva
leve para completar um dilúvio,
Ficarei esperando aqui sereno
para me banhar neste lago de prazer.

Por mais tempo que uma palavra
leve para ser entendida,
Ficarei esperando aqui sereno
para formar meu refrão.

Por mais tempo que uma nota
leve para suar em melodia,
Ficarei esperando aqui sereno
para lhe cantar uma canção.

Os ponteiros não existem no além,
Os prazeres se vêem ao descobrir o amor
Não importa a quanto tempo
este tempo voltou a me incomodar,
O que me importa está por dentro,
e o corpo não me leva a relaxar.

Olhares fixos, fixos caminhos no olhar,
Todas as passagens estão programadas
como a porta com horário para entrar,
Voar, sentir, sonhar e delirar,
não há maior prazer maior
quando uma pessoa alucinada está.

Pecados que pedem a se provar,
Juramentos, palavras e tréguas
que todos tendem a experimentar,
Anjo ao meu redor, não deixe
meu pobre espírito se ajoelhar
não deixe meu pobre espírito envelhecer
não deixe meu pobre espírito
encontrar a saída deste labirinto
que só me tende a me encontrar.


Outro escrito para minha namorada a um tempo atrás...
HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA [01:44]

Comments:

[ Sexta-feira, Abril 23, 2004 ]

 
Para a Carol


Sem palavras,
não sei o que falar,
apenas o espírito sente
e minhas mãos não conseguem expressar,
por tão grande a emoção
minhas mão não conseguem se afirmar.

Apenas aprecio nossos horizontes,
grandes e límpidos lagos e cachoeiras,
rosas, violetas, cravos e palmeiras.
Com você meu mundo deserto
se transforma neste resumo de palavras,
pois não há nada neste mundo
que demonstra este paraíso
de conviver com uma pessoa amada.

Quem vê nos revela
nascemos um para o outro,
assim como se ascende uma vela
obviamente necessitando do fogo.

Deserto, areia e dia quente
como se fosse um inferno
ou depressões corroendo minha mente,
não há terapia, não há férias,
é apenas você que está ausente.

Como se o mundo houvesse nascido de novo
e para minha satisfação
recomeçaríamos a história,
eu seria Adão,
e você de doces perfumes de ervas
para não fugir desta história
eu lhe chamaria de Eva,
mas esse mundo seria criado dessa vez
pela explosão de nosso amor.


Este foi escrito há um certo tempo atrás...
HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA [03:10]

Comments:

[ Domingo, Abril 18, 2004 ]

 
Graças à Deus


Dêem graças às feridas,
pois são delas
que encontramos enfermeiras lindas.

Dêem graças à escuridão,
pois é das trevas
que procuramos iluminação.

Dêem graças às pedras,
pois são delas
que construímos nossa era.

Dêem graças à história,
pois é dela
que descobrimos a vitória.

Dêem graças aos desentendimentos,
pois são deles
que teremos o arrependimento.

Dêem graças à Deus,
pois foi Ele
quem criou os ateus.

HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA [13:43]

Comments:

[ Sexta-feira, Abril 16, 2004 ]

 
Outim


Eu já não sei mais ser jovem
de tomar as decisões em certas loucuras,
não tenho aquela coragem de saltar
de arriscar meus estreitamentos,
a minha vontade não satisfaz o meu desejo.

Eu tenho receio de entrar nessa legião,
queria habitar em meu castelo
ouvir a contos de fadas que nunca me apresentaram,
as oportunidades que o social me traz
não consegue e não pode habitar em mim.

Eu me sinto como um excluído,
não há diferença se meu nome entrar neste capítulo.
Eu poderia mergulhar no céu negro,
me adaptar a este livre infinito de lucidez,
mas eu pedi a meu Pai que não me deixasse ir.

Agora o que será de mim?
Por quanto tempo eu pensarei duas vezes?
Eu não sei caminhar sem medir meus pés,
só assim eu posso calcular ainda
quantas gotas de lágrimas terei de derramar
para que eu pise o sofrimento que passei.


Este foi escrito a um tempinho atrás, o título quer dizer Old Teen, ou seja, uma alma de velho no corpo de um adolescente, palavra criada por mim mesmo, sei lá se existe algo do tipo.
HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA [04:06]

Comments:

[ Quarta-feira, Abril 14, 2004 ]

 
Esperança esgotada


Quem me dera algum dia
ouvir aquela voz de simpatia
e ser acordado com um bom dia.

Quem me dera ser lembrado
por quem mesmo definiu a data
a data do meu primeiro aniversário.

Quem me dera um dia
ouvir um sincero Te amo
seja em afeto e não em palavras.

Quem me dera receber um convite
para ser acomodado
e juntos as estrelas observar.

Quem me dera ouvir uma história
que seja do bicho papão
mas que eu durma com amor no coração.

Quem me dera numa ceia
eu ser o último a sentar
e iniciarmos todos juntos, depois de rezar.

Quem me dera um dia
eu derramar uma lágrima
mas que seja de alegria.

Quem me dera um elogio
seria mil passos distante
dessas palavras eu deixar.

Quem me dera um dia
meus criadores
de mim se aproximar.


Nem toda imagem tem uma real mensagem a olho nu.
HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA [08:38]

Comments:

 
Sofrimento


É uma pena
eu escolher o papel
para esbanjar minhas palavras,
apenas quero que sinta
que de mim não há mais nada.

Não há nada...
nada a temer,
hora de reconhecer meu coração,
que a momentos atrás pediu socorro.

O meu sofrimento é sentir frio
meu peito a congelar,
é ser sutil
deixar o espaço me ocupar.
Foram apenas sentimentos revoltados,
egoístas,
é o meu ego em sofrimento.

O meu sofrer
é querer tua presença
e os obstáculos do dia-a-dia me impedir.
O meu sofrer
é te ter
e viver distante.
O meu sofrer
é amar você
pois te quero a cada instante.

Sofrer é querer e não ter,
sofrer é te ouvir e não sentir
seus lábios colados aos meus.
Sofrer é achar, implorar
que a vida tenha culpa,
e nos dê a grande jura
de que para sempre quero lhe amar.

Sofrer é o amar
amar é sofrer,
em busca de uma grande cura
que eu só encontro em você.

.
Este foi escrito atualmente para minha namorada (Carolina), depois de observar vários pontos deixados para trás em nossa relação amororsa.
HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA [00:16]

Comments:

[ Terça-feira, Abril 13, 2004 ]

 
Em nível do mar


Tornaram-se estrangeiras
minhas reflexões
me perco,
pois não falo esta língua;
apenas entendo o sotaque,
claramente são interrogações.

Há um certo desgosto mesmo,
sem medo de falar, mas...
às vezes preferir a morte,
seria prazeroso o abraço de Cristo.
São espaços vazios
que muito afetam meu ser.

Não consigo mais palavras de amor,
é querer ser sozinho,
pois eu me entendendo,
mas não sustento minhas necessidades.

Onde estão?
Ou quem são as palavras?
Meu mapa se apagou,
como um pirata no mar
que nunca naufragou,
lançado sem teorias e experiências
sem mapas nem bússolas,
seguindo o caminho das ondas,
quem sabe na sorte eu encontre
o tesouro de uma antiga captura.

HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA [00:18]

Comments:

[ Segunda-feira, Abril 12, 2004 ]

 
Nóias


Como eu mesmo posso me entender
se ao mesmo tempo em que busco vestir o mesmo uniforme
minha consciência me mostra a verdadeira vida?
Ou, como eu posso entender a verdadeira vida
se ao mesmo tempo busco não vestir este uniforme,
apenas para não ser visto como mais um.
Como eu consigo viver plenamente em dois tempos
se dentro de mim não cabe nem mesmo um?
Ah se o mundo inteiro pudesse me ouvir
Ah se o mundo inteiro pudesse me interpretar,
mas do que isso me adianta?
nesse meio há futilidade, há aqueles que não sabem amar.
Ou será que sou apenas eu
querendo julgar livres consciências sem nada a pagar?


Este foi escrito em julho de 2003.
HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA [00:51]

Comments:

[ Domingo, Abril 11, 2004 ]

 
Ansiedade


Estou acomodando essas palavras
para esquecer a ansiedade,
a cada minuto passado
o sol amanhece e entardece.

Bônus de segundos,
parece que agora todos
estão ganhando este prêmio,
contado de segundo em segundo,
como se todos acordaram hoje
com um relógio sem pilha no bolso,
ganha mesmo, até um vagabundo...

Vou pegar outra folha
e escrever tudo de novo
desde o meu texto: ¿Por que?¿

HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA [03:13]

Comments:

[ Sábado, Abril 10, 2004 ]

 
Teddy Rotina (Tédio de Rotina)


Indesejavelmente,
repentinamente,
há meu descarrego de ódio.
Já até sei porque quero me ferir,
talvez para abrir minha pele
e deixar que vaze este odor.

Entrelaço toda minha ira
em um enorme boomerang,
mas quanto mais longe a atiro,
mais forte e veloz sou atingido.

Apenas planto árvores,
árvores de doces frutras,
frutas que semeio,
semeio mas não acolho.
Todas essas frutas
não são de minha fome,
espero restar casca e semente
para duplicar dessas doçuras.

Deveria despejar minhas emoções
frente ao espelho,
nunca me agradeci
por mais infeliz que me desejo.
Torna-se loucura esperar minha vez
para entrar no purgatório
mas o que me resta
a não ser me conscientizar
do que não é obrigatório?

Instintos, sonhos e desejos,
com 34 bolinhas no bolso
e um crucifixo,
me sinto assegurado até para pecar.

HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA [16:14]

Comments:

[ Domingo, Abril 04, 2004 ]

 
Um santo sonho


Peguei uma toalha enorme e cobri a mesa,
coloquei doze copos e garrafas de vinho,
doze pratos e talheres de sobremesa,
guardanapos... Caprichei, fiz com carinho!

Na cozinha estavam prontos: arroz e feijão,
também havia peixe em uma grande travessa,
duas saladas: uma de alface, outra de agrião
- Comida pobre, simples, mas comida à bessa!

E quando estava perto o momento da ceia,
lavei as mãos na pia e tirei o avental,
olhei o relógio na parede: eram onze e meia,
- Minha casa humilde ia receber o pessoal ¿

Foram chegando: Thiago, João, Tadeu e André,
Mateus, Pedro, Simão, Felipe e Bartolomeu.
Chegou meio-desconfiado o sempre bom Tomé
e, em seguida Tiago, - o filho de Alfeu -.

Os onze sentaram-se e, com certo espanto,
notaram o que na entrada não haviam visto,
uma figura conhecida, sorria em um canto,
alto e de cabelos longos: era... era Cristo!

Cristo sentou-se no centro. Comecei a servir.
neguei, quando perguntaram se queria ajuda.
Foi aí que bateram à porta com insistência.
Fui abrir. Era Iscariotes... era Judas...

Eu o mandei esperar e voltei até a cozinha,
peguei alguma coisa e embrulhei com rapidez,
dei-lhe e o mandei ¿dar umas voltinhas¿.
Cristo balançou a cabeça, reprovando-me dessa vez.

Os onze quiseram saber o que eu dera
a Judas Iscariotes. ¿ ¿O que era? O que era?¿
Cristo e agüentar, sorriu,
explicou que eu nasci no Brasil
e, como bom brasileiro,
eu dera ¿um jeitinho¿,
dando a Judas um certo dinheiro
para sair de ¿fininho¿.
Trinta moedas para esquecer a rua e a vila
e deixar Cristo e os apóstolos numa ceia tranqüila!



(BARROS, Neimar de. Sorrindo (Poesias e Pensamentos), L. Oren Editora e Distribuidora de Livros LTDA., 1977.)
HELDER DE OLIVEIRA BARBOSA [10:51]

Comments: